TSE amplia número de urnas que passam por testes para as eleições

Sala com mesa cheia de urnas eletrônicas que seriam usadas nas eleições
Sala com mesa cheia de urnas eletrônicas / Lucas Lacaz Ruiz/Estadão Conteúdo – 04/11/2020

Tribunal Superior Eleitoral (TSE) optou por realizar uma série de mudanças para as eleições de outubro de 2022, entre elas o uso de modelos atualizados e a ampliação do número de urnas eletrônicas que passam por testes antecipadamente, passando de 100 para 600 máquinas. O Tribunal calcula que serão usadas 577 mil urnas durante a votação deste ano. Do total, cerca de 225 mil serão de um modelo novo, mais rápido, acessível e que mantém a segurança da votação.

O processo de verificação das máquinas ocorre um dia antes da votação. Os equipamentos sorteados são levados à sede do Tribunal Regional de cada Estado. Voluntários, normalmente jovens que ainda não tem título de eleitor, votam em cédulas de papel e um funcionário de uma empresa contratada digita os números nas urnas. Todo o processo é gravado por uma câmera. No final do dia, o boletim de cada urna é impresso e comparado com as escolhas dos voluntários.

O advogado especialista em direito eleitoral Alberto Rollo afirma que as decisões do tribunal aumentam ainda mais a transparência do processo de votação. “Até agora, são 26 anos de urna eletrônica, desde que esses testes de votação paralela foram adotados, nunca teve diferença. E quando houve diferença é porque houve um erro na hora de digitar o voto do papel no teclado da urna eletrônica. E a gente sabe que tem uma discussão: ‘600 é pouco, 200 antes eram poucas’, aumentou para 600, mas talvez 600 não seja o ideal, não importa, a gente chega no número ideal. O que importa é a boa vontade da Justiça Eleitoral em mostrar cada vez mais que não tem nenhum motivo para desconfiança, não tem nenhum motivo para duvidar do sistema da urna eletrônica”, afirma.

Dias depois do anúncio do TSE de ampliar o número de testadas, o presidente Jair Bolsonaro (PL) voltou a atacar o sistema de votação eletrônica. Ele propôs que as forças armadas atuem no processo eleitoral, fazendo uma espécie de dupla checagem da apuração feita pelo tribunal. O cientista político Manuel Furriela vê as decisões da corte como uma resposta às repetidas declarações de Bolsonaro. “Esta decisão de aumentar as urnas que serão verificadas, que passarão por uma série de testagens, junto com outras iniciativas, elas são, sim, resposta ao presidente e às forças armadas e não a toda a sociedade. São decisões que aumentam a transparência. Mas eu não acredito que elas venham afastar qualquer tipo de desconfiança, porque foram tomadas decisões já seguindo os mesmos procedimentos previstos anteriormente. Então, a ampliação da fiscalização pela sociedade civil, ela é só uma ampliação daquilo que já havia. Como o voto impresso não está sendo contemplado nestas decisões, o aumento da transparência não vai atender as expectativas. mesmo com a ampliação da transparência e da checagem, eu não acredito que as expectativas vão mudar ou as críticas vão deixar de vir”, opinou Furriela.

Como voto é facultativo para as pessoas com mais de 70 anos, Euzébio Ferreira de Jesus não deve ir à sessão eleitoral no próximo dia 2 de outubro. O aposentado, no entanto, confiaria no sistema se fosse participar do pleito. “Eu acredito que, se essa forma é porque ela foi escolhida pela maioria. É o melhor que houve até agora”, afirma. A assistente administrativo Cristina Carvalho vai na mesma linha: “Não tem método melhor, depois que colocaram as urnas, foi a melhor opção para a gente. Agora que eles estão colocando também digital, isso daí está facilitando muito, então não tem outro método mais seguro que esse. Vou votar confiante”, diz.

Já para o dono de corretoras de seguro Pedro Sauermins o sistema de votação brasileiro poderia contar com mais uma etapa. “O sistema eletrônico é um sistema válido, mas, na minha opinião, se a gente tivesse uma verificação de voto impresso junto seria melhor”, opina. O relojoeiro David Campos iria preferir que a votação fosse feita de outra forma: “Eu particularmente não confio no sistema de votação que temos hoje. Na China, por exemplo, eles não utilizam o sistema eletrônico igual a nós. Então, se tem um país com tecnologias muito mais avançadas do que a nossa e ainda utiliza o sistema impresso, manual, por que a gente vai confiar hoje na eletrônica?”.

*Com informações da repórter Nanny Cox

Jovem Pan

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