PANDEMIA: Uns morrem, outros ficam trilionários; Fortuna dos 10 homens mais ricos do mundo mais que dobrou durante pandemia

Foto: Joe Raedle / AFP

Desde que a pandemia eclodiu em março de 2020, um novo bilionário surgiu quase todos os dias. As fortunas dos 10 homens mais ricos do mundo – incluindo Elon Musk, Jeff Bezos e Bill Gates – mais que dobraram para US$ 1,5 trilhão, tornando-os seis vezes mais ricos do que os 3,1 bilhões de pessoas mais pobres do mundo, disse a Oxfam em relatório para embasar discussões online de líderes políticos e empresariais do Fórum Econômico Mundial.

Enquanto isso, mais 160 milhões de pessoas foram empurradas para a pobreza durante a pandemia, disse a instituição, citando números da lista dos bilionários da Forbes de 2021, do Global Wealth Databook do Credit Suisse e do Banco Mundial.

“A pandemia tem sido uma bonança bilionária”, disse a diretora executiva da Oxfam Internacional, Gabriela Bucher, em entrevista. “Quando os governos fizeram os pacotes de resgate e injetaram trilhões na economia e nos mercados financeiros para apoiar a economia para todos, o que aconteceu é que muito disso foi para os bolsos dos bilionários”.

O desenvolvimento de vacinas tem sido uma das histórias de sucesso da pandemia, mas Bucher disse que foram “acumuladas pelos países ricos” que buscam proteger os monopólios farmacêuticos.

Um imposto único de 99% sobre os 10 homens mais ricos da pandemia poderia render mais de US$ 800 bilhões e ser usado para financiar esse esforço e outros gastos sociais progressivos, disse o grupo.

O dinheiro “poderia pagar vacinas para todo o mundo, ter sistemas de saúde para todos”, disse Bucher. “Também seríamos capazes de compensar os danos das mudanças climáticas e ter políticas que abordem a violência de gênero”, deixando os 10 bilionários US$ 8 bilhões mais ricos do que eram no início da pandemia, acrescentou.

A Oxfam pediu que os países ricos abram mão das regras de propriedade intelectual sobre as vacinas contra a covid-19, em um esforço para expandir sua produção.

Mas a organização observou que os Estados Unidos e a China, as duas maiores economias do mundo, estão começando a considerar políticas destinadas a combater a desigualdade, como aumentar as taxas de impostos sobre os ricos e tomar medidas contra os monopólios corporativos. “A questão é que a desigualdade extrema não é inevitável e é por isso que nos traz esperança”, disse Bucher.

Estadão Conteúdo / BG