O que o PSB garantiu a Alckmin para selar a filiação ao partido

Combinação de fotos mostra o ex-presidente Lula em outubro de 2020, em São Bernardo, e o ex-governador de SP, Geraldo Alckmin, durante evento em São Paulo em fevereiro de 2018 — Foto: Marcelo Brandt/g1
Combinação de fotos mostra o ex-presidente Lula em outubro de 2020, em São Bernardo, e o ex-governador de SP, Geraldo Alckmin, durante evento em São Paulo em fevereiro de 2018 — Foto: Marcelo Brandt/g1

O ex-governador Geraldo Alckmin não queria confirmar uma data de filiação ao PSB sem, antes, conversar com o ex-presidente Lula, que estava, até segunda (8), em viagem ao exterior. E esse encontro ainda está por acontecer – a previsão é que seja nesta semana.

Por isso, Alckmin não gostou do anúncio oficial do PSB de que sua ida para o partido estava selada, após reunião na segunda-feira (7), como revelou o blog.

Com o acerto tornado público – na visão do ex-tucano, antes da hora – Alckmin quer mais tempo antes de marcar a data de filiação. O objetivo é ter essa conversa com Lula – prevista para os próximos dias – e tempo para agradecer ao partidos que abriram as portas, como o PV e o Solidariedade, quando a filiação ao PSB parecia que não ia se concretizar.

A filiação de Alckmin ao PSB estava prevista para dezembro de 2021, mas o casamento partidário foi adiado por um impasse no palanque de São Paulo. Petistas acusam Márcio França (PSB), ex-governador de São Paulo, de ter recuado de um acordo em que ele, França, sairia para o Senado e o ex-prefeito Fernando Haddad (PT), para o governo de São Paulo.

França nega que tenha se comprometido com esse acordo e manteve sua pré-candidatura ao Palácio dos Bandeirantes, irritando o PT.

Foi esse o impasse que adiou – e colocou em risco – a filiação de Alckmin ao PSB. Por isso, o ex-tucano passou a considerar um plano B para sua filiação partidária – a vice de Lula estava selada, independentemente do partido.

Para tentar contornar a crise, de dezembro para cá as cúpulas de PT e PSB se reuniram algumas vezes. Mas o cenário só mudou quando, há duas semanas, Lula conversou com França e disse ao blog que seria o ex-presidente quem definiria o palanque de São Paulo.

A declaração foi vista por petistas como um sinal de que o PSB estava disposto a fechar um acordo independentemente de condicionantes, já que Lula havia dito algumas vezes que seu candidato para o governo de São Paulo seria Haddad.

Foi na segunda (7), porém, que Alckmin e o PSB selaram o casamento. Na conversa, Alckmin só aceitou a filiação ao PSB após ouvir duas garantias principais do partido:

  1. Que o PSB vai apoiar Lula, independentemente de PT e PSB fecharem uma federação partidária;
  2. Que a filiação de Alckmin não estaria condicionada a nenhum palanque estadual, nem ao de São Paulo.

“Ele precisava ouvir que estava resolvida a chapa presidencial”, diz um aliado do ex-tucano.

E Alckmin ouviu: o próprio presidente do PSB, Carlos Siqueira, disse que o palanque de São Paulo, por exemplo, vai ser definida em uma conversa paralela à aliança para disputar o Planalto.

Para aliados de Lula, agora, é o PSB quem corre contra o tempo e quer acelerar a filiação de Alckmin. Motivo: quer garantir o maior número de deputados na legenda, levados pelo ex-governador, durante a janela partidária, que começou na primeira semana de março e termina em 1º de abril.

G1 / Por Andréia Sadi