Justiça determina que vereador Gabriel Monteiro,vereador e PM no Rio de janeiro, retire três vídeos de rede social

Vereador Gabriel Monteiro em imagem de arquivo — Foto: Reprodução
Vereador Gabriel Monteiro em imagem de arquivo — Foto: Reprodução

O Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ) determinou que o vereador e ex-PM Gabriel Monteiro (PSD) apague de seu canal no Youtube três vídeos em que ele acusa o comandante do 19º BPM (Copacabana), coronel Luciano de Vasconcelos, de ser ligado ao crime de contravenção.

Segundo a decisão assinada pela juíza Luciana Santos Teixeira, o material postado por Gabriel na internet contém “imputação criminal sem qualquer denúncia, inquérito ou investigação em andamento” e extrapola a liberdade de expressão.

Assinada em 2 de julho, a ordem foi direcionada ao vereador e ao Google, que teriam 24 horas após o recebimento da intimação para retirar os vídeos de circulação de todas as suas plataformas.

Até o final da tarde desta segunda-feira (5), os vídeos ainda estavam disponíveis no canal do vereador.

Monteiro é ex-soldado da PMERJ — Foto: Reprodução/ Instagram

Monteiro é ex-soldado da PMERJ — Foto: Reprodução/ Instagram

A juíza estipulou uma multa diária de R$ 500, caso a ordem não seja cumprida.

Na opinião da magistrada, Gabriel Monteiro “fez acusações gravíssimas contra o impetrante (coronel), afirmando em diversos trechos dos vídeos apontados que este teria envolvimento com grupos de contravenção penal, que estaria corrompido por estes e que, por isso, não teria interesse em agir com firmeza na repressão desta espécie de criminalidade”.

Por volta das 16h desta segunda, o vereador publicou em uma de suas redes sociais um comentário sobre o processo. Gabriel questionou qual seria o interesse do coronel em buscar a Justiça.

“Sinceramente, não sou um exército, sou apenas um. Tô dando a vida por um trabalho que ninguém quer fazer, e só porrada que tomo. O Coronel Luciano tinha perdido a ação, agora ganhou no recurso. Qual interesse desse Coronel?”, questionou.

Supostos casos de quebra de decoro

Na última semana, Gabriel Monteiro se envolveu em mais uma confusão. Dessa vez, o ex-PM brigou com um caminhoneiro na porta de um bingo clandestino em Copacabana, na Zona Sul.

Como mostrou o RJ2 na quinta-feira (1º), o Conselho de Ética da Câmara já analisa seis situações em que Monteiro pode ter quebrado o decoro do cargo. Contando com recurso público, ações do vereador são gravadas e geram retorno financeiro para o político na internet.

Imagens mostram Monteiro chegando acompanhado de cinegrafistas e seguranças ao local onde funcionava o bingo. Pelo menos três deles usam toucas-ninja. Na polícia, o vereador afirmou que esteve no endereço porque teve informação de que haveria um bingo em funcionamento no local.

E acrescentou ter encontrado o caminhoneiro Carlos Henrique Santos Araújo, com diversos caixas de máquinas caça-níquel. Segundo o vereador, o motorista o ameaçou. Na delegacia, o homem afirmou que foi abordado pelo parlamentar e perguntado quem era o chefe. E que o grupo de Gabriel Monteiro o agrediu com socos e chutes.

O motorista acrescentou que a abordagem foi realizada de forma truculenta, achando que seria um grupo de assaltantes e milicianos. Carlos Henrique também relatou que foi ameaçado. Segundo ele, o vereador afirmou: “fala tudo, senão eu te coloco na mala do carro”.

Os vídeos mostram que o motorista deu um soco no vereador, que revidou com chute. E mais agressão. O inquérito de lesão corporal mútua já foi encaminhado para o Juizado Especial Criminal.

Segurança suspeito de homicídio

A polícia também investiga se um dos integrantes da equipe que acompanha Gabriel Monteiro nas fiscalizações é Daniel Aleixo Guimarães. Em fotos, o homem aparece armado. E em outras, com Monteiro.

O suposto segurança do vereador é acusado de matar, em 2015, um ex-prefeito de Macuco, na Região Serrana. Ele chegou a ser preso, mas responde em liberdade.

Em abril, o RJ2 mostrou que, durante a pandemia, o vereador fazia fiscalizações em hospitais – sem usar equipamentos de proteção e provocando aglomerações em áreas destinadas a pacientes com Covid. Também foi a abrigos à noite, quando os moradores já estavam dormindo.

O Conselho de Ética analisa as vistorias feitas pelo vereador, mas até agora nenhum processo foi aberto. Outro ponto polêmico é o fato de Gabriel Monteiro usar a prerrogativa do cargo em benefício próprio – para ganhar dinheiro. Todas as supostas fiscalizações são filmadas e viram vídeos monetizados em redes sociais.

“No caso do vereador Gabriel Monteiro, já chamamos pra conversar, ele foi alertado sobre procedimentos incompatíveis, e o que vale para um vale para todos. Não perseguimos ninguém, mas temos que agir com firmeza com todos os casos”“, afirmou o vereador Chico Alencar (PSOL), membro do Conselho de Ética.

Condenado a indenizar coronel

Conforme publicado na coluna de Ancelmo Góis, em O Globo, na última quinta (1), Gabriel foi condenado na Justiça a pagar 40 salários-mínimos ao coronel da PM Íbis Souza Pereira.

O vereador fez um vídeo insinuando envolvimento do coronel com os traficantes da Maré, onde Íbis foi dar uma palestra.

G1RJ

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