Arthu Lira contra o povo: ele diz que discussão sobre voto impresso é “perda de tempo”

 (crédito: Michel Jesus)

Presidente da Câmara afirmou que confia no sistema de votação eletrônica e acrescentou que, dificilmente, a mudança será votada no plenário da Casa. Para o decano do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, debate é “conversa fiada”

O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), disse, nesta sexta-feira (30/7), que a discussão em torno da PEC do voto impresso é uma “perda de tempo”. O deputado voltou a afirmar que confia no sistema eleitoral brasileiro. Mencionou, ainda, que dificilmente a proposta chegará ao plenário da Câmara.

“Já existe uma PEC aprovada no Senado desde 2015 com relação a voto impresso, e o Senado nunca se debruçou a analisar. Portanto, eu venho dizendo que o foco está errado. Se alguém quer trazer esse assunto para discussão, teria que ser tratado no Senado“, afirmou o parlamentar, durante evento online promovido pelo Consultor Jurídico. “Votar uma segunda PEC na Câmara para que depois ela vá ao Senado ter o mesmo destino é perda de tempo, no meu ponto de vista, do processo legislativo”, acrescentou.

Em posição oposta à do presidente Jair Bolsonaro, seu aliado, Lira reafirmou que confia na segurança da urna eletrônica. “Já disputei oito eleições, sendo seis em urna eletrônica. Não temos nenhum fato que diga respeito à fragilidade no sistema ou fraudes”, afirmou o deputado.

O presidente da Câmara disse que não é contra propostas que buscam dar mais transparência aos processos de auditoria, mas observou que qualquer dúvida sobre os resultados das eleições “é ruim para o país, ruim para as instituições e ruim para todos nós”.

O evento teve também a participação do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O magistrado chamou a discussão sobre o voto impresso de “conversa fiada” e disse que há “uma intenção que não é boa” por trás desse debate.

“Essa ideia de que sem voto impresso nós não podemos ter eleição ou não vamos ter eleições confiáveis, na verdade, esconde, talvez, algum tipo de intenção subjacente, uma intenção que não é boa“, disse Gilmar Mendes. “Vamos parar um pouco de conversa fiada. É claro que todos nós somos favoráveis à auditabilidade da urna. E ela é auditável”, afirmou.

O magistrado disse ainda que se o problema é a urna eletrônica, então a defesa teria que ser a volta ao sistema anterior, com votos no papel. Acrescentou que não há nenhuma prova de fraudes nas urnas eletrônicas, ao passo que, no sistema anterior, as irregularidades eram gerais, tanto na votação manual quanto na contagem.

Semipresidencialismo

Lira voltou a defender a discussão sobre a possível adoção do semipresidencialismo no país e disse que esse sistema de governo resguardaria o presidente de instabilidades políticas. Ele citou como exemplo as dezenas de pedidos de impeachment protocolados nos últimos meses, na Câmara, contra o presidente Jair Bolsonaro.

O deputado também destacou que o Centrão, grupo político do qual é um dos principais líderes, ajudaria a governar em um sistema semipresidencialista. “Nós temos problemas que são tachados de governo de coalizão, temos problema de ‘tachação’ de partidos de Centrão, quando, na realidade, os partidos do centro são os partidos que, em uma ideia mais clara de semipresidencialismo, poderiam ser a base de sustentação”, disse.

Correio Braziliense