Após 6 mortes de PMs, governadora do RN pede investigação e presta solidariedade

O partido de Fátima Bezeera não defende bem as PMs do Brasil / Foto da Internet

Pressionada pelos opositores e a imprensa, a governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra (PT) demorou para se manifestar sobre a onda de mortes de policiais militares.

Não é a primeira que o silêncio ecoa no Palácio do Governo. Em seis meses houve ao menos três chacinas, e nenhuma nota de solidariedade ou investigação com resultados dos assassinos.

As mortes podem ter sido ocasionada pela expansão e briga de territórios das organizações criminosas, chamadas de facções. Primeiro Comando da Capital, Sindicato do Crime e GDE, Okaida, da Paraíba, são os grupos criminosos que atuam em solo potiguar.

Em uma semana foram seis atentados contra policiais, com três mortes registradas. Em nota a governadora manifestou solidariedade e pediu investigação das mortes.

“Mais um policial assassinado agora à noite. Mais um homicídio, dessa vez na Av. Roberto Freire. Já é o sexto atentado contra policiais essa semana, com 3 vítimas fatais. O cabo era do 5º BPM e estava em uma atividade extra quando foi atingido. É o quinto policial que perde a vida este ano. Toda a minha solidariedade aos familiares e amigos de Gustavo Andrade, mas não apenas dele. Me solidarizo aqui aos familiares e amigos do Cabo PM Francisco Marcolino Sobrinho e do policial civil da Paraíba Cleverson Luiz Fontes. A polícia civil do nosso estado tem um Núcleo Especial de Investigação de Mortes de Policiais, uma criação do nosso Governo, e já determinei a dra. Ana Cláudia, bem como ao secretário de Segurança Cel Araújo, que atuem com todo rigor nas investigações para identificar os culpados, a origem dos atos, julgá-los e coibir definitivamente novos atentados. Essa situação não pode ficar impune.” disse Fátima.

A Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal de Natal realizou, nesta quarta-feira, 14, reunião virtual para conhecer as ações do programa “Fazendo Justiça”, desenvolvido pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Mas não se manifestaram sobre onda de criminalidade e violência na Grande Natal, RN.

A comissão de direitos humanos da Ordem dos Advogados do Brasil, seccional do RN, também não se pronunciou assim como a Assembleia Legislativa. O silêncio também tomou conta do prefeito do Natal, RN, Álvaro Dias.

OS CRIMES – A Secretaria de Estado da Segurança Pública e da Defesa Social (Sesed), por meio do Comando Geral da Polícia Militar e da Delegacia Geral da Polícia Civil, informou que a maioria dos suspeitos de envolvimento com as mortes de policiais ocorridas este ano no Rio Grande do Norte já foi presa ou identificada. Segundo a secretaria, de janeiro até o dia 13 de abril, quatro policiais militares do RN e um policial civil da Paraíba foram mortos, além de outros dois PMs potiguares que ficaram feridos, todos vítimas de assaltantes. 

O caso mais recente aconteceu na noite desta terça-feira (13) no bairro Capim Macio, na zona sul de Natal. O cabo da PM Gustavo Pinheiro de Andrade, de 39 anos, estava em uma loja de aparelhos celulares quando foi abordado por um assaltante. O bandido percebeu que Gustavo estava armado e o agarrou. Houve luta e o policial acabou baleado. 

Gustavo ainda foi socorrido ao hospital, mas não resistiu aos ferimentos. Ele trabalhava no 5º BPM. A Polícia Militar informou que o criminoso foi identificado graças às imagens do circuito interno de vigilância do estabelecimento e ele continua sendo procurado.

Um dia antes, um policial militar foi baleado de raspão na cabeça após reagir a um assalto no bairro de Lagoa Nova, também na Zona Sul da capital potiguar. O PM, que é lotado na Companhia Independente de Prevenção às Drogas (Cipred), foi socorrido, atendido e logo liberado. O bandido fugiu, mas, segundo a Sesed, também já foi identificado.

No final de semana passado, no sábado (10), a vítima foi um policial civil da Paraíba, morto em um assalto no bairro Pitimbu, que também fica na Zona Sul de Natal. Cleverson Luiz Fontes, de 45 anos, trabalhava há seis anos na Delegacia de Mulher em Mamanguape, mas morava na capital potiguar. Ele saía da casa de familiares quando foi abordado por assaltantes e baleado. 

Dentro do carro do agente, os ladrões viram que havia uma arma e um distintivo policial. Foi quando os bandidos tiraram Cleverson do veículo e atiraram nele. Na fuga, os criminosos bateram o automóvel no bairro Cidade Nova, na Zona Oeste da cidade. Dois foram presos e autuados em flagrante. 

Na sexta, dia 9, um sargento do Batalhão de Choque da PM foi baleado durante um assalto que aconteceu no cruzamento das avenidas Romualdo Galvão e Antônio Basílio, em Lagoa Nova, onde ele foi abordado. Os criminosos se aproximaram em uma moto e o renderam, sem saber que ele era policial. Ao perceberem que estava armado, atiraram contra ele. Um dos tiros transfixou o tórax do sargento, e outro tiro ficou alojado na parte de trás da cabeça. 

O PM foi socorrido, medicado e se recupera bem dos ferimentos. Já os bandidos fugiram com a moto e a arma do sargento. No início desta semana, a motocicleta e a arma do PM foram encontradas enterradas em uma área de dunas no bairro de Mãe Luíza. “Os criminosos também já foram identificados e presos”, destacou o comandante-geral da PM, coronel Alarico.

No dia anterior, em Mossoró, na região Oeste potiguar, a vítima foi o cabo da PM Francisco Marcolino Sobrinho, de 44 anos. Ele estava de carro, próximo da casa de um parente, quando foi abordado por dois assaltantes. O policial reagiu ao assalto, mas acabou baleado na cabeça. O cabo Marcolino foi socorrido, mas teve a morte cerebral confirmada dois dias após ser internado. 

A Polícia Militar informou que um dos suspeitos de ter participado do latrocínio (roubo seguido de morte) do cabo Marcolino morreu em confronto armado com a PM na tarde desta terça-feira (13). Foi durante uma diligência na cidade de Itaú, também no Oeste do estado. Um segundo assaltante também morreu no confronto, mas ainda não há informações se ele também teria participação no crime que vitimou o policial. No local onde os dois bandidos estavam, os policiais apreenderam armas, drogas e celulares. Três mulheres também foram apreendidas na mesma operação.

Na noite de 4 de março, o sargento da PM aposentado Neuton Alves, de 56 anos, foi morto durante uma troca de tiros com assaltantes em um parque eólico de São Miguel do Gostoso, no litoral Norte potiguar. O PM trabalhava como vigilante do parque eólico, junto com outro policial, quando um grupo de assaltantes armados invadiu o local. O sargento aposentado reagiu e entrou em confronto com os bandidos, mas foi atingido e morreu. A PM confirma que pelo menos dois dos criminosos já foram identificados e são procurados pela polícia.

O primeiro agente de segurança vítima de assaltantes este ano foi o cabo reformado da Polícia Militar Haroldo Cavalcanti Gomes, de 52 anos, atingido por disparos de arma de fogo no dia 8 de janeiro em Maxaranguape, município do litoral Norte. Segundo a Polícia Militar, Haroldo foi reformado por ter problemas de coração. A Polícia Civil investiga o caso.

INVESTIGAÇÃO – Titular da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), o delegado Márcio Lemos ressaltou que as investigações estão bastante avançadas, mas que prefere não entrar em detalhes para não prejudicar o andamento dos trabalhos. 

Na noite passada, o secretário da Segurança Pública e da Defesa Social, coronel Francisco Araújo Silva, determinou ao Núcleo de Investigação Policial de Mortes de Agentes de Segurança Pública (NIMAS) – que é vinculado à DHPP – a adoção de todos os procedimentos necessários para uma resposta rápida e eficaz, com a identificação, localização e prisão dos criminosos.

“Em tempo, e ainda perante a sociedade e as famílias dos agentes públicos envolvidos, externamos profundo pesar pelas vidas ceifadas de maneira cruel e covarde”, acrescentou o coronel Araújo. (Com informações do G1 RN e Portal da Tropical)

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