Archive for outubro 24th, 2021

Em disputa na 3ª via, Ciro adota verde e amarelo e quer rodar o País com crítica a Lula e Bolsonaro

Ciro Gomes na Paulista
Legenda: Ciro Gomes durante discurso na Avenida Paulista, no dia 12 de setembro
Foto: Reprodução/Instagram

Com 11 nomes cotados para disputar o posto de “terceira via” nas eleições presidenciais de 2022, o ex-ministro Ciro Gomes (PDT) tenta “largar na frente”, colocando nas ruas sua pré-campanha, apostando no verde e amarelo e com críticas veladas ao também pré-candidato Lula (PT) e ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido). 

Em meio à promessa de percorrer o Brasil com uma série de mobilizações, a primeira etapa é vencer a batalha de intenções de voto ainda entre quem quer se colocar como opção entre Lula e Bolsonaro.

Em Fortaleza, apoiadores realizaram na manhã deste domingo (24) um adesivaço pró-Ciro na Praia do Futuro, já com novos slogans e cores da nova aposta. E não apenas os apoiadores estão nas ruas. 

No sábado (23), as principais lideranças do PDT, como senador Cid Gomes, o deputado federal André Figueiredo e o ex-prefeito de Fortaleza Roberto Cláudio, estiveram no encontro regional do partido em Crateús; e hoje, em São Benedito.

Na sexta-feira, o PDT mobilizou militantes que projetaram em prédios o nome de Ciro em ao menos seis capitais brasileiras. São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Belém e Porto Alegre foram alvos da ação. 

O ex-governador cearense utilizou da mobilização em redes sociais, que resultou em uma hashtag com os dizeres “prefiro Ciro” nos assuntos mais falados do Twitter no mundo.

Em vídeos compartilhados de forma massiva por aliados, Ciro ataca, de forma velada, tanto Lula como Bolsonaro. A campanha foi pensada pelo marqueteiro João Santana, que já foi estrategista do PT.

Diário do Nordeste

Temer sugere declarar calamidade para não romper teto de gastos

Foto: Sérgio Lima/Poder 360

O ex-presidente da República Michel Temer (MDB) afirmou, em artigo publicado neste domingo (24.out.2021) no jornal Folha de S.Paulo, que o governo poderia usar o artigo 167 da emenda do teto de gastos para aumentar o valor do programa Bolsa Família. É o trecho da lei que trata de calamidades públicas e que foi usado no ano passado devido à pandemia.

Temer foi o presidente que criou o teto de gastos, em 2016. Na época, ao lado do então ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, estipularam o prazo de 20 ano para a regra.

Para o ex-presidente, a situação da pobreza, acentuada nos últimos 2 anos pela pandemia, é calamitosa, o que justifica o uso do artifício.

Há sempre a preocupação de que os vulneráveis, acentuada sua pobreza, possam rebelar-se e, em consequência, praticar atos que desagreguem a nação brasileira. Este fato revela a razoável imprevisibilidade e, em consequência, a urgência a que alude o artigo 167, parágrafo terceiro, já mencionado. Acresce que um dos princípios fundamentais da nossa Constituição é a ‘erradicação da pobreza’ a teor do seu artigo 3, III”, escreveu o ex-presidente.

Temer afirma que essa solução traria duas vantagens: permitiria o aumento e enviaria o sinal de que o governo continua levando a questão fiscal a sério.

Sei que estou levando essa interpretação às últimas consequências, mas ela tem duas vertentes sistêmicas: de um lado, reconhece que é ‘calamitosa’ a realidade do pauperismo brasileiro; de outro, aplica regra constitucional que não elimina o teto de gastos públicos. Somente assim demonstraremos ao mercado interno e internacional a nossa seriedade fiscal e a nossa preocupação com a pobreza.

Em 2020 e 2021, o país decretou calamidade pública em função da pandemia do novo coronavírus. Dessa forma, foi possível gastar além do que o teto determinava. O auxílio emergencial foi um dos destinos desse dinheiro.

Na última semana, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e o ministro da Economia, Paulo Guedes, disseram que irão pedir permissão para gastar além do teto em uma ampliação do Bolsa Família que será levada a cabo em 2022, ano que Bolsonaro deve concorrer à reeleição.

Em pronunciamento conjunto na 6ª feira (22.out), Guedes disse que não “gosta” de furar o teto, mas que se tratava de uma opção para não deixar os pobres desassistidos.

Se está muito feliz que está furando o teto? Não. Eu detesto furar o teto. Eu não gosto furar o teto, mas não estamos aí só para tirar 10 no fiscal”, disse Guedes. Ele falou que lutou até o fim pela manutenção do teto de gastos, mas disse que o país teve que escolher entre “tirar 10 em fiscal e 0 no social”.

Poder 360 /BG

Deputados veem ‘guerra de versões’ e dizem que chance de Bolsonaro se filiar ao PP é baixa

Ainda sem legenda, Bolsonaro mantém conversas com o PTB e o PP
Foto da Internet

No próximo dia 12 de novembro, o presidente Jair Bolsonaro completará dois anos sem estar filiado a nenhum partido. Quando anunciou sua saída do PSL, sigla pela qual se elegeu nas eleições de 2018, o chefe do Executivo federal prometeu criar o Aliança Pelo Brasil, mas a iniciativa nunca saiu do papel. A pouco mais de um ano da eleição, a cúpula do Progressistas (PP) garante que a legenda desponta como uma das mais cotadas para abrigar o mandatário do país. Os deputados federais, no entanto, veem uma “guerra de versões” e dizem que Bolsonaro só vai se filiar ao PP se estiver “louco”. “De zero a dez, a chance de vir é três”, afirma um aliado do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), um dos expoentes da agremiação.

No início do mês, como a Jovem Pan mostrou, o presidente nacional do Progressistas, André Fufuca (PP-AM), que assumiu o cargo após a ida do senador Ciro Nogueira para a Casa Civil, disse à reportagem que as conversas pela filiação de Bolsonaro avançaram e que 90% do PP apoiava a vinda do presidente da República. Apesar do otimismo, o xadrez da política estadual impõe uma série de obstáculos ao chefe do Executivo federal. A resistência ocorre, sobretudo, no Nordeste. Na Bahia, por exemplo, o vice-governador do Estado, João Leão, é filiado ao Progressistas e compõe a chapa do petista Rui Costa. “Não vejo possibilidade de Bolsonaro se filiar ao PP”, disse Leão em entrevista concedida ao jornal Tribuna da Bahia na última semana. Há, ainda, um grupo de caciques que são contra a aliança porque não pretendem ceder o controle de diretórios a Bolsonaro. Por fim, dirigentes da sigla não estão dispostos a ceder a Bolsonaro a prerrogativa de indicar os candidatos do partido ao Senado nas eleições do ano que vem.

“Bolsonaro só vem para o PP se for louco. Você acha que o Ciro Nogueira vai querer perder o controle do partido? Eu vejo muita conversa ao vento, uma guerra de versões. Tem gente aqui dentro que diz ‘o Bolsonaro vai indicar candidatos para o Senado, mas o palanque nos Estados está liberado’. Para ele subir no palanque de um governador, o governador tem que apoiá-lo, e vice-versa. Você consegue imaginar o PT apoiando o Rodrigo Garcia [vice-governador e candidato do PSDB ao governo do Estado de São Paulo]? Não, não é? O mesmo raciocínio se aplica ao Bolsonaro”, provoca um deputado do Progressistas eleito por São Paulo. O parlamentar paulista também ironiza a previsão feita por Fufuca. “Ele [Fufuca] apoia o senador Weverton [do PDT] para o governo do Estado do Maranhão. Como o Bolsonaro vai subir no palanque do partido do Ciro Gomes?”, questiona.

Os dirigentes do PP sabem que, uma vez filiado, o presidente da República trará consigo parlamentares eleitos em 2018 na onda de renovação política que transformou o PSL, então nanico, na segunda maior bancada da Câmara dos Deputados. Um interlocutor do senador Ciro Nogueira disse à Jovem Pan que “são grandes” as chances de Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) desembarcar na sigla e se tornar, inclusive, “o mandachuva” em São Paulo. Na última eleição, o filho Zero Três recebeu 1,8 milhão de votos e levou com ele nove deputados do PSL. Como uma das prioridades do Progressistas é eleger deputados federais, as lideranças do partido mantêm no radar a possibilidade de abrigar a tropa de choque bolsonarista. Alguns integrantes do partido resistem. “Antes de Bolsonaro chamar o Centrão para o governo, esses radicais passaram dois anos nos atacando, dizendo que ninguém prestava. Não posso achar que nada disso aconteceu e dar tapinha nas costas”, diz um deputado do Nordeste. “A trupe bolsonarista até pode vir, mas não terão identidade partidária. Eles são Bolsonaro”, sentencia um correligionário da bancada sulista.

Jovem Pan